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Morte de menino picado por escorpião: veja 6 pontos que levaram polícia a indiciar médico por homicídio no interior de SP

redacao by redacao
13/08/2026
in Últimas Notícias
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Morte de menino picado por escorpião: veja 6 pontos que levaram polícia a indiciar médico por homicídio no interior de SP
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Bernardo de Lima Mendes morreu após ser picado por escorpião em Conchal (SP)
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A morte de Bernardo de Lima Mendes, de 3 anos, após ser picado por um escorpião em março deste ano em Conchal (SP), voltou a repercutir após a Polícia Civil indiciar o médico Augusto Fortunato de Godoi por homicídio culposo – quando não há intenção de matar.
De acordo com o inquérito, o delegado Luís Henrique Lima Pereira, responsável pela investigação, identificou que os protocolos para o atendimento da criança não foram seguidos pelo médico. A defesa de Augusto informou que há “plena certeza de sua inocência”. (Veja abaixo o posicionamento).
A polícia também pediu medida cautelar proibindo o médico de atuar como plantonista e em serviços de urgência e emergência, como hospitais e Unidades de Pronto-Atendimento (UPAs), até nova decisão judicial. A investigação e o pedido ainda serão analisados pelo Ministério Público e pela Justiça.
Em depoimento, o médico afirmou que não sabia de protocolos para picada de escorpião em crianças de até 10 anos.
O g1 reuniu 6 pontos que constam na justificativa do indiciamento da polícia:
Não transferiu imediatamente a criança para um hospital de referência
Descumprimento dos protocolos técnicos para acidentes com escorpião em crianças
Demora no início dos procedimentos de transferência
Condicionou a remoção à regulação via Cross
Não adotou medidas mais rápidas para obter o tratamento específico
Acompanhamento considerado insuficiente e tratamento apenas sintomático
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1. Não transferiu imediatamente a criança para um hospital de referência
Hospital e Maternidade Madre Vannini, em Conchal (SP)
Reprodução Google Street View
O inquérito policial cita que o hospital de referência mais próximo de Conchal era a Santa Casa de Araras, mas que, na ausência do soro na instituição, Capivari, Itirapina, Leme, Limeira, Piracicaba, Pirassununga, Rio Claro e São Pedro possuem o soro antiescorpiônico.
“Entretanto, verifica-se que o médico responsável pelo atendimento da vítima, Dr. Augusto, contrariando as normativas técnicas amplamente reconhecidas na literatura médica, nos protocolos inclusive do hospital em que trabalha e nos protocolos do Ministério da Saúde, optou por manter a criança em observação na unidade local, sem providenciar sua imediata transferência para hospital de referência.”, destacou o documento.

2. Descumprimento dos protocolos técnicos para acidentes com escorpião em crianças
A Polícia Civil requisitou informações técnicas acerca do protocolo de atendimento em casos de escorpionismo, especialmente envolvendo crianças, para o Centro de Informação e Assistência Toxicológica (CIATox) de Campinas e à Vigilância Epidemiológica do Estado de São Paulo.
De acordo com o inquérito, o CIATox esclareceu que o soro antiescorpiônico não está disponível em todas as unidades hospitalares, sendo concentrado em pontos estratégicos previamente definidos. No entanto, a limitação logística não autoriza a postergação do tratamento adequado.
“Pois o protocolo estabelece que, na ausência do soro na unidade de atendimento inicial, deve-se proceder à estabilização clínica do paciente e, de forma imediata, providenciar sua transferência para unidade de referência que disponha soroterapia”, apontou o documento.
Já o relatório da Vigilância Epidemiológica enfatizou que “crianças, por constituírem grupo de maior risco, devem ser transferidas imediatamente, mesmo na ausência de manifestações clínicas iniciais, considerando a possibilidade de rápida evolução do quadro”.
Bernardo de Lima Mendes morreu após ser picado por escorpião em Conchal (SP)
Redes Sociais
3. Demora no início dos procedimentos de transferência
De acordo com o inquérito, a documentação aponta que a vítima deu entrada no Hospital Madre Vanini às 20h08, enquanto o contato formal com a Central de Regulação de Ofertas de Serviços de Saúde (Cross) foi às 21h59, mais de duas horas após o acidente com escorpião.
O perito do Instituto Médico Legal (IML) afirmou que houve falha na observância dos protocolos específicos aplicados a crianças vítimas de picada de escorpião e apontou o atraso na adoção das medidas voltadas à transferência da criança.
“Além de não realizar a remoção imediata inicial e nem com a piora do quadro clínico através de acionamento do Samu para um ponto estratégico, foi feito contato com o Sistema Cross de maneira formal, somente às 21h59 ou seja, já após passadas mais de duas horas do acidente escorpiônico”, acrescentou.
4. Condicionou a remoção à regulação via Cross
O CIATox afirmou à polícia que a transferência para a unidade de referência que possua soro deve ocorrer sem adiamento, justamente porque o tempo é fator determinante para o prognóstico, sobretudo em pacientes pediátricos.
A Vigilância Epidemiológica ressaltou à polícia que é obrigatória a transferência, sem condicionamentos burocráticos que possam retardar o início da soroterapia.
“Restou evidenciado que, mesmo após o agravamento do quadro, o médico Augusto, que liderou o atendimento da criança, condicionou a remoção da criança à disponibilização de vaga pelo sistema Cross, medida esta que, em casos se urgência e emergência como o presente, é dispensável (‘vaga zero’), devendo prevalecer o princípio da prioridade absoluta à vida e à saúde do paciente”, destacou o delegado no inquérito.
Bernardo de Lima Mendes morreu após ser picado por escorpião em Conchal (SP)
Redes sociais
5. Não adotou medidas mais rápidas para obter o tratamento específico
“A dependência indevida desse trâmite burocrático ocasionou, para além de manter a criança em observação, atraso adicional na transferência, prolongando o tempo de exposição da vítima a um quadro clínico crítico sem o tratamento adequado”, defendeu o delegado.
O delegado explicou Augusto poderia ter solicitado uma ambulância do Serviço de Atendimento Médico de Urgência (Samu) com medicamento e médico embarcado, conforme parecer do IML. “Porém, novamente tal providência não foi adotada pelo investigado Augusto”.
“Igualmente, o laudo do IML acrescenta que o médico poderia ter acionado o Samu independentemente do sistema Cross, informando a gravidade do caso e, assim, noticiando tratar-se de vaga zero”, acrescentou.
6. Acompanhamento considerado insuficiente e tratamento apenas sintomático
De acordo com o inquérito, há provas documentais de que Bernardo, desde o atendimento inicial de Augusto até o direcionamento para a sala de emergência, foi mantido sob observação e sob cuidados da equipe de enfermagem, longe dos cuidados do médico responsável e com medicamentos ministrados somente para a contenção da dor.
“Ou seja, as medidas adotadas pelo profissional da medicina não atendem à necessidade do diagnóstico. A conduta médica se mostra incompatível com o padrão esperado de cuidado, especialmente diante da conhecida gravidade dos acidentes escorpiônicos em crianças, que apresentam maior risco de evolução rápida para quadros graves”, defendeu.
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Além do indiciamento, a investigação solicitou à Justiça o afastamento cautelar do médico Augusto Fortunato de Godoi de suas atividades. O pedido foi feito porque o profissional afirmou em depoimento que considera que o protocolo médico foi seguido.
O inquérito policial de 16 páginas foi encaminhado ao Ministério Público, que avaliará se aceita a denúncia e se formaliza o pedido de afastamento do médico.
Falha nos protocolos
Bernardo foi picado por um escorpião no fim de março enquanto estava em casa com os pais. A família levou o menino até a Santa Casa de Conchal em menos de cinco minutos.
De acordo com o delegado responsável pela investigação e os relatórios do Instituto Médico Legal (IML), diretrizes nacionais e estaduais do Ministério da Saúde determinam que qualquer criança com até 10 anos picada por escorpião, mesmo com sintomas leves, deve ser estabilizada e encaminhada imediatamente para um hospital de referência que possua o soro antiescorpiônico — que, no caso da região, é o hospital de Araras (SP).
Também foi apontado atraso na transferência da criança, que deu entrada no Hospital Madre Vannini às 20h08, e o contato formal com o Sistema Cross somente ocorreu às 21h59, mais de duas horas após o acidente com o escorpião.
O laudo relaciona essa demora à perda da chamada “janela terapêutica”, quando a administração do antiveneno é eficaz, e aponta que o médico deveria ter acionado o Samu e informado tratar-se de “vaga zero” por risco iminente de morte.
Segundo o Centro de Vigilância Epidemiológica “Prof. Alexandre Vranjac”, o grupo mais vulnerável a picadas de escorpião Tityus serrulatus, ou escorpião amarelo, é o das crianças de até 10 anos. O órgão aponta que o primeiro vômito no grupo de risco já caracteriza a necessidade urgente do uso do soroantiveneno.
A Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo (SES-SP) informa que, nesse grupo, o tratamento precisa ser iniciado em até 1h30 após a picada. O pai de Bernardo relatou que o filho vomitou cerca de dez vezes em apenas 20 minutos e também babava bastante.
“Era um caso de vaga zero, de acionar o Samu e encaminhar essa criança para lá. O médico adotou protocolos que acabou por burocratizar a transferência da criança e o quadro se tornou irreversível. Por conta disso, o médico foi indiciado nesse inquérito policial por homicídio culposo em decorrência da negligência médica que ficou constatada”, afirmou o delegado.
Bernardo de Lima Mendes morreu após ser picado por escorpião em Conchal (SP)
Arquivo pessoal
Segundo a polícia, o médico manteve o garoto em observação em Conchal, contrariando as regras. O quadro clínico do menino se agravou e ele sofreu uma parada cardiorrespiratória e choque cardiogênico devido aos efeitos tóxicos do veneno.
Bernardo foi transferido emergencialmente para Araras, onde recebeu o soro mais de 4 horas após a picada. Contudo, o estado já era irreversível e ele morreu no dia seguinte.
‘Sentimento de alívio’
Paulo Henrique Mendes Dias, pai do menino Bernardo, fala sobre indiciamento de médico após morte do filho por picada de escorpião em Conchal (SP)
Ely Venancio/EPTV
O pai do Bernardo manifestou um “sentimento de alívio” ao saber que a polícia concluiu o inquérito e indiciou o médico que atendeu seu filho por homicídio culposo.
“É um sentimento de alívio. É muito gratificante ver que um passo foi dado, e um dos passos mais importantes”, afirmou o tatuador Paulo Henrique Mendes Dias.
“O que a gente sempre quis é que a justiça seja feita e que não aconteça com mais ninguém. Principalmente sobre ele ser afastado, para que não ocorra com outra criança o que ocorreu com o meu filho”, disse o pai do menino.
O que dizem os envolvidos
Em nota, a defesa afirmou que recebeu a notícia do encerramento do inquérito com surpresa pela imprensa e declarou a “tranquilidade” de seu cliente, alegando que ele possui “plena certeza de sua inocência”. O g1 questionou sobre a falta de conhecimento do médico sobre os protocolos, mas a primeira nota da defesa foi mantida.
O Hospital e Maternidade Madre Vannini, de Conchal, onde aconteceu o primeiro atendimento, informou que o médico acionou o Centro de Informação e Assistência Toxicológica (Ceatox) quatro vezes durante o atendimento e que solicitou a transferência assim que houve o agravamento do quadro. A unidade pontuou ainda que não tem autorização para manter o estoque do soro no local.
Disse ainda que o inquérito “não reflete o melhor entendimento sobre os fatos e que deixou de considerar vários pontos, desde a regulamentação técnica à cronologia do que aconteceu”. Afirmou também que “uma rigorosa sindicância aberta pela instituição concluiu que o tempo de atendimento foi adequado, assim como todos os protocolos foram seguidos”.
O g1 procurou o Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo para falar sobre o indiciamento e se há apuração da conduta do médico, mas não teve retorno até a última atualização desta reportagem.
REVEJA OS VÍDEOS DA EPTV:
Veja mais notícias da região no g1 São Carlos e Araraquara

Fonte: https://g1.globo.com/sp/sao-carlos-regiao/noticia/2026/08/13/morte-de-menino-picado-por-escorpiao-veja-6-pontos-que-levaram-policia-a-indiciar-medico-por-homicidio-no-interior-de-sp.ghtml

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